Inteligência Artificial e Processo Penal: entre a celeridade e o processo justo

A aplicação de sistemas de Inteligência Artificial (IA) no setor da justiça tem vindo a ganhar relevância, apresentando-se como uma solução potencial para a morosidade dos processos judiciais. No âmbito do Processo Penal, estas tecnologias podem auxiliar na análise de prova, na avaliação do risco de reincidência, na aplicação de medidas de coação e na determinação da pena.

Todavia, a utilização de decisões automatizadas levanta importantes desafios jurídicos, sobretudo no que respeita ao princípio do processo justo e às garantias de defesa do arguido. Este princípio, consagrado constitucionalmente e em instrumentos internacionais de proteção dos direitos humanos, exige que o arguido seja devidamente informado da acusação, beneficie de um julgamento equitativo e seja julgado por um juiz imparcial.

A introdução de sistemas de IA pode afetar estas garantias em várias dimensões. Desde logo, a opacidade dos algoritmos dificulta a compreensão dos critérios subjacentes às decisões, comprometendo o direito à fundamentação e ao recurso. Acresce o fenómeno do automation bias, que traduz a tendência humana para confiar excessivamente nas decisões automatizadas, influenciando a atuação dos magistrados.

Por outro lado, os sistemas de IA podem reproduzir ou amplificar enviesamentos existentes nos dados, originando decisões potencialmente discriminatórias. Tal realidade coloca em causa o princípio da imparcialidade do juiz e a presunção de inocência.

Apesar das vantagens associadas à maior rapidez processual, a autora alerta para a necessidade de garantir mecanismos de supervisão humana, transparência, explicabilidade e auditoria algorítmica, de modo a assegurar que a tecnologia não compromete a justiça material nem os direitos fundamentais.

A modernização da justiça através da Inteligência Artificial deve, assim, ser orientada por um equilíbrio entre eficiência e garantias processuais, assegurando que a inovação tecnológica serve o princípio do processo justo e a proteção da dignidade humana.

Na Cavaleiro & Associados, acompanhamos de perto a evolução jurídica da Inteligência Artificial no setor da justiça, promovendo uma reflexão crítica sobre os seus impactos e apoiando soluções que conciliem inovação, legalidade e direitos fundamentais.⠀

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